quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Novidades da Sony: PRS 300 e PRS 600

A Sony acaba de confirmar o lançamento de dois novos dispositivos de leitura. O Sony PRS 300 Pocket Edition destina-se a novatos nos livros eletrónicos, enquanto o Sony PRS 600 Touch Edition tem em vista utilizadores mais exigentes.


O modelo básico rondará os 200 dólares (cerca de 140 euros, ou 370 reais); enquanto o mais avançado andará pelos 300 dólares (cerca de 210 euros, ou 550 reais).

A edição de bolso (PRS 300) terá um ecrã E-ink Vizplex de 5 polegadas, com uma resolução de 800 x 600 pixeis e 8 escalas de cinza. É visto como um sucessor do Sony PRS 505 e permite as funcionalidades básicas de leitura.

Já o Sony PRS 600 terá um ecrã tátil de seis polegadas e é reconhecido como um sucessor do Sony PRS 700. O leitor funcionará através de comandos diretos no monitor, com os dedos ou um estilete. Será possível sublinhar frases e criar anotações.

Ambos os aparelhos suportarão o formato proprietário da Sony, o BBeB Book, bem como PDF, EPUB, TXT, RTF e DOC (Word da Microsof).

Num e noutro será possível ouvir música nos formatos MP3 ou AAC e ver fotografias nos formatos JPEG, PNG, GIF e BMP.

A Sony promete que os dois dispositivos permitirão ler 6.800 páginas em formato EPUB sem necessidade de recarregar a bateria.

Algumas fontes revelam que os manuais dos dispositivos preveem a existência de menus em Inglês, Francês, Alemão e Neerlandês. Isto poderá significar uma aposta da Sony no mercado europeu.

Nenhumas referências são feitas ao Português, pelo que não é de esperar que possam ser comprados diretamente nas lojas de Portugal ou do Brasil.

Até ao momento, para além dos Estados Unidos da América, está já garantido o lançamento das novas engenhocas no Canadá.

Fontes: Mobileread.com, SonyInsider.com, Sony.com
Ver também: Público.pt

Ricardo F. Diogo:

São boas notícias.

É verdade que, aparentemente, os aparelhos não trazem nada de tecnologicamente inovador.

Mas revelam que a Sony está neste mercado para ficar.

Era previsível, depois do compromisso de popular a sua livraria em linha com milhões de obras digitalizadas pela Google.

Os Sony 300 e 600 não deverão poder ligar-se diretamente à Internet.

Mas especula-se que não demorará muito até que a empresa anuncie um modelo de maiores dimensões, comparável ao Kindle DX. A Amazon enfrentaria assim um concorrente no mercado norte-americano no segmento do público ultraexigente.

Seria preciso, contudo, a Sony entender-se com as operadoras de telecomunicações mundiais para que pudesse ligar o seu aparelho remotamente à Internet. Tarefa que se tem mostrado árdua para a Amazon na Europa e que tem impedido a implantação do Kindle do mercado europeu.

Os dispositivos de leitura da Sony sempre me atraíram, sobretudo pelo seu design. Com o lançamento do Sony 700 fiquei radiante com a possibilidade de selecionar texto.

Mas sempre me enfureceu que a Europa fosse deixada de fora.

Caso o Sony PRS 600 venha a ser lançado em solo europeu, terei de optar entre continuar com o meu Cybook Gen3 da Bookeen ou dar o salto para um novo aparelho.

Considero essencial poder sublinhar frases, parágrafos e tirar notas. E o Sony 600 dá essa possibilidade.

Lamento que a Sony não suporte nativamente o formato HTML, que se encontra mais do que disseminado e estabilizado na Rede.

Mas admiro que suporte o padrão EPUB (como já vinha fazendo nos modelos anteriores). O lançamento recente de ferramentas de edição de ficheiros EPUB, retiraram-me alguns receios. Talvez possa vir a dizer definitivamente adeus ao formato Mobipocket.

Também não me agrada ter de instalar um software especial no computador para poder gerir o aparelho. Com o lançamento iminente do Windows 7, aguardarei as avaliações ao desempenho dos aparelhos e da sua interação com o novo sistema operativo da Microsoft.

Quanto a preços, caso seja lançado na Europa, estou preparado para ter de despender mais de 210 euros. Haverá que ter em conta as taxas de transporte e todo o tipo de impostos.

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Dos tremores do mytho atlântico

O escritor Carlos Vaz justifica, no Textualino, a sua resistência ao novo Acordo Ortográfico:

«O leitor terá em mim o "dêem" e "crêem" com o telhado necessário à casa do "e"; o óptimo e a facção... como palavras carregadas de consoantes belas que suspendem a língua atrás da boca; os nomes dos monumentos importantes, os edifícios, os pontos cardinais, as estações do ano, com a maiúscula que demonstra o gigante necessário à sua construção.»



Vaz é um dos milhares de subscritores de uma petição que será debatida pelos deputados portugueses na próxima semana (ver jornal Público).

Mais uma vez, o Ler Digital deixa aqui um subsídio.

Em 1886, Antero de Quental grafava assim os seus sonetos:

«O espaço é mudo: a immensidade austera
De balde noite e dia incendeia...
Em nenhum astro, em nenhum sol se alteia
A rosa ideal da eterna primavera!»



Nem os astros nem as estações do ano eram necessariamente construídos por gigantes maiúsculos, naquela época. A imensidade da Primavera só posteriormente seria consagrada.

Mas em 1934, já o mito era mito, Fernando Pessoa ainda deixava (deliberadamente) na sua Mensagem que, afinal:

«O mytho é o nada que é tudo.»



Quental e Pessoa foram atualizados pelos milhões entretanto dados à luz. Que os pronunciavam de forma diferente; que viam nos textos reminiscências latinistas excessivas; que, no fundo, apenas os queriam ler e transcrever de forma mais compreensível.

Apesar dos pactos feitos com os seus leitores, acreditarão os escritores Carlos Vaz ou Vasco Graça Moura que o presente e o futuro ficarão amarrados ao que os autores consideram a ortografia óptima?

Ou, no fundo, estaremos apenas perante uma fação pré-atlântica?

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

BOOX da Onyx International

A Onyx International apresenta a sua nova promessa: o BOOX.

O aparelho deverá dispor de um ecrã tátil assente na tecnologia E Ink Vizplex. Uma caneta permitirá sublinhar o texto, fazer anotações e navegar pelos menus.

Com 120 MB de RAM e um processador a 532MHz, o BOOX aceitará cartões de memória SD de 512 MB ou superiores.

Será possível localizar palavras dentro do texto ou traduzi-las com o auxílio de um dicionário.

Os deficientes visuais poderão ainda contar com a funcionalidade de leitura áudio automática (“texto-para-voz”).

De entre os formatos suportados contam-se os PDF, TXT, HTML, CHM, RTF, Mobipocket (sem GDA), PDB, JPG, PNG, BMP, TIFF.

A empresa dá a entender que se esforçará para suportar o formato EPUB.

A compatibilidade com o formato mp3 permitirá igualmente ouvir música no dispositivo.

Como um telemóvel, o BOOX disporá de conetividade Wi-Fi e GPRS/3G. Será, portanto, teoricamente possível navegar na Internet a partir do dispositivo e descarregar diretamente livros eletrónicos.

A Onyx não vende ainda para o consumidor final. Procura parceiros que comprem, pelo menos, 3.000 unidades para revenda. Tudo leva a crer que a empresa ainda tenha apenas disponíveis protótipos em pré-produção.

Junho de 2009 é a data prevista para o lançamento e 300 euros o preço estimado.

Veja o vídeo no Youtube.

Ricardo F. Diogo:

O ecrã tátil, a possibilidade de sublinhar e fazer anotações no texto, aliados à funcionalidade de pesquisa e dicionário levam este dispositivo ao encontro do que a maioria de fãs de livros digitais sempre desejou.

Creio que o aparelho deverá suportar o formato EPUB se não quiser merecer censuras dos utilizadores.

Na luta de formatos, o facto de apenas suportar ficheiros Mobipoket não protegidos por sistemas de gestão de direitos de autor dever-se-á, talvez, a não ter chegado a acordo com a proprietária deste formato, a Amazon, que dispõe do seu próprio leitor de ebooks, o Kindle.

Dificilmente os livros em PDF serão legíveis no aparelho. A não ser que sejam previamente formatados pelo utilizador para o tamanho do ecrã ou o dispositivo disponha de uma aplicação de reformatação. Por outro lado, o PDF tornar-se-á progressivamente redundante, à medida que o EPUB se for generelizando.

A funcionalidade de conversão para voz levantará necessariamente objeções dos editores e autores, como já anteriormente sucedeu com o Kindle da Amazon. Os editores argumentam que a leitura em voz automática é uma violação dos direitos de autor.

Considero o design atrativo, embora faça lembrar aparelhos já existentes no mercado.

O BOOX parece-me um leitor com extraordinárias potencialidades.

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

txtr da Wizpac

A Wizpac, uma jovem empresa alemã com sede em Berlim, acaba de apresentar o protótipo do seu novo dispositivo de leitura de livros eletrónicos: o txtr. (Lê-se “técster.)

A comercialização está prevista para setembro de 2009.

A empresa criou já uma plataforma na Internet, que permite à comunidade de utilizadores enviarem livros e outros ficheiros de texto para aí serem armazenados e partilhados (em http://txtr.com).

Através de uma ligação 3G/GPRS, o utilizador poderá sincronizar a pasta de que dispõe nesse espaço virtual, com o aparelho que tem nas suas mãos. Pelo menos na Alemanha, isto será possível porque o txtr integrará um cartão SIM, tal como um telemóvel.

Fora esta particularidade, a meta da Wizpac é vender um dispositivo simples, dedicado apenas à leitura e à viragem de páginas. Criar uma espécie de PDA não está nos horizontes. A tecnologia E-ink Vizplex do aparelho não o permitiria.

O aparelho lerá ficheiros em formato ePub, o preferido da empresa. Mas também irá aceitar HTML, PDF e TXT. Quanto a RTF e formatos do Office da Microsoft, também estão previstos, embora ainda não haja certezas.

Já no que toca ao formato Mobipocket, tudo depende da autorização da sua proprietária, a gigante norte-americana Amazon, que comercializa também o seu próprio dispositivo – o Kindle. A jovem Wizpac diz estar a negociar.

O txtr não terá um ecrã tátil, pelo que não será possível sublinhar palavras. A empresa alega que essa funcionalidade esgotaria muito rapidamente a bateria.

A única área sensível ao toque será a faixa lateral do aparelho a partir da qual será possível virar as páginas. Se o txtr for colocado na horizontal, o texto reajusta-se automaticamente.

A Wizpac também não promete suportar a localização de palavras no próprio livro. Contudo, está a fazer experiências e não põe de parte a ideia de, futuramente, o aparelho poder ser ligado a um teclado através de Bluetooth. Esta arrancará para já apenas para o áudio.

As conectividades WiFi e USB permitirão ao utilizador migrar os seus livros para cartões de memória e lê-los no aparelho, ou exportá-los diretamente.

Quanto a memórias: 1GB SDRAM, com cartão MicroSD de 8GB incluído.

O sistema será baseado em Linux e a empresa libertará um SDK / API aquando do lançamento. Ou seja: qualquer programador poderá desenvolver as suas próprias aplicações para o aparelho. A Wizpac considera isto «posição estratégica» e conta com a criatividade da comunidade de utilizadores para melhorar o dispositivo.

A empresa está a conversar com os editores para poder vender livros a partir do seu sítio.
Contudo, a Alemanha possui uma lei que fixa um preço único para cada livro. As edições digitais deverão ter o mesmo preço das em papel.

O txtr deverá custar cerca de 300 euros.

Veja os vídeos no Youtube: Vídeo 1 (Parte 1) e Video 1 (Parte 2) , em Inglês; e Vídeo 2, em Alemão.


Ricardo F. Diogo:

O aparelho tem um
design que me parece leve e atrativo. A possibilidade de utilizar o aparelho para ler documentos armazenados num espaço virtual é interessante, embora não seja nova.

A Wizpac terá de estar atenta aos direitos de autor. A tendência será para os cibernautas carregarem na plataforma na Internet da Wizpac documentos ilegais para que possam ser compartilhados com todos utilizadores. Poderá ser uma pedra no sapato da empresa.

A abertuda a formatos não proprietários é ótima. Infelizmente, gostaria que o aparelho tivesse um ecrã tátil para que se pudesse sublinhar linhas e palavras. A opção de pesquisa de texto, contudo, é uma mais-valia.

2009: novas promessas

O início de 2009 está a ser generoso quanto a promessas de novos dispositivos.

A marcar o primeiro trimestre de 2009, dois eventos serviram de rampa de lançamento para novas empresas e protótipos: a CeBIT 2009 (Hannover, Alemanha, 3 a 8 de março), uma das maiores feiras de tecnologia do mundo; e a Feira do Livro de Leipzig (Leipzig, Alemanha, 12 e 15 de março).

A oferta de dispositivos está a crescer e a concorrência poderá trazer surpresas.

As empresas apontam datas de lançamento mas não se comprometem quanto a preços. Todas pretendem ser competitivas neste mercado, que é atualmente liderado pelo Kindle da Amazon e pelo Sony PRS 505 da Sony.

Para já, os aparelhos anunciados assentam quase todos na mesma tecnologia E-Ink Vizplex. Alguns têm ecrãs táteis, outros não.

Os novos dispositivos parecem seguir os passos do Kindle. Apostam na navegabilidade direta na Internet para permitir comprar os livros em linha.

O Ler Digital irá, nos próximos meses, apresentar algumas das novas engenhocas.

Ler Digital com Acordo Ortográfico

A partir de hoje, o Ler Digital adota o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.

Apesar de ainda não vigorar em Portugal, é tempo de me adaptar.

Caso por cá encontre erros, não hesite em corrigir-me!

Ricardo F. Diogo, 1 de maio de 2009

domingo, 18 de Janeiro de 2009

Biblioteca Digital Camões: nota positiva baixa

Ficou aquém das expectativas. Mas surpreendeu num ponto. Passam 10 dias sobre o lançamento em linha da Biblioteca Digital Camões e chegou o momento de criticar.


Política de domínio público


Os livros clássicos em domínio público são fornecidos, até ao momento, por uma única editora privada (a Porto Editora).

Antes de descarregar o ficheiro é necessário manifestar que se concorda com a sua política de direitos autorais (em rigor, de direitos conexos):

O ficheiro apenas poderá ser lido em linha, impresso, ou guardado no computador. Não pode ser partilhado.

Infeliz.

Independentemente das parcerias e protocolos que o Instituto Camões mantenha com editoras privadas, e dos ganhos que possa obter com isso, é indecente ter de recorrer aos ficheiros produzidos por certas editoras para se apresentar aos utilizadores obras caídas no domínio público.

A BDC deve saber que As Pupilas do Senhor Reitor ou A Queda dum Anjo estão gratuitamente disponíveis em inúmeros sítios na Internet, sem entraves à sua circulação.

A Biblioteca Digital Camões deve retirar imediatamente todas e quaisquer restrições à livre difusão das obras caídas em domínio público. Se necessário, populando o seu acervo com outras fontes e esquecendo essa parceria com a Porto Editora.

Trata-se de uma parceria saloia que não revela senão que a BDC teme enfrentar os interesses económicos dos editores no que toca ao domínio público.

Nas palavras da Biblioteca:
« A Biblioteca Digital Camões tem autores e edições no domínio público, mas também em edições actuais, protegidas por direitos conexos (fixação de textos, notas críticas, prefácios e posfácios…etc.), obras protegidas por direitos e de autores vivos. Consequentemente, cada edição publicada terá um nível de acesso que é resultado da expressão de uma vontade conjunta do Instituto Camões, I.P., e do editor e/ou instituição proprietária da edição.»
Ora, a BDC, como um projecto de um instituto público, deve saber que:

Os direitos conexos sobre obras em domínio público (a fixação do texto, as notas críticas, os prefácios e posfácios, etc.) são precisamente os maiores entraves à livre circulação das obras na era digital.

As editoras aproveitam-se (legalmente) da possibilidade de acrescentarem esses conteúdos aos textos clássicos para protegerem (legalmente) as suas edições.

No entanto, o uso deste direito pelos editores contribui para enormes obstáculos à digitalização e circulação de obras clássicas por parte de utilizadores comuns. A pretexto de se incluírem nas obras caídas em domínio público notas de rodapé e prefácios (na maioria das vezes sem qualquer conteúdo útil), os editores amarram as mãos a milhares de voluntários que tencionam colocar em linha obras sobre as quais já não existem direitos de autor originários.

Se as editoras o fazem legitimamente, é impensável que um instituto público compactue com esta prática.

No mínimo, a BDC deveria apresentar, a par da versão protegida por direitos conexos (contendo os tais prefácios), uma versão pura, de acordo com o original, livremente partilhável.

Mas a BDC não peca por falta de honestidade. Assume:
«A Biblioteca Digital Camões não se pretende apresentar como alternativa ou um concorrente de editoras ou livrarias. É uma biblioteca. O trabalho dos editores é insubstituível e fundamental. O reconhecimento dos responsáveis pelas edições é também uma manifestação de respeito pelas pessoas que ganham a vida a fazer e a vender livros, e que aceitaram participar connosco nesta missão de divulgação da língua e cultura portuguesas no mundo.»

Dezenas de projectos voluntários disponibilizam gratuitamente milhares de obras caídas em domínio público. Voluntários que não ganham a vida a fazer e vender livros, mas perdem horas das suas vidas particulares e familiares a digitar obras para que possam ser gratuitamente lidas, descarregadas e partilhadas na Internet por falantes e aprendizes do Português em todas as partes do Globo.
A BDC parece não compreender, ironicamente, que no novo mundo digital os conteúdos em domínio público são mais e melhor produzidos por voluntários do que por editores.

Melhor faria se procurasse voluntários para digitalizar obras e as colocarem na BDC sem quaisquer limitações de partilha.

Em suma, na prática temos um instituto público a oferecer um acesso condicionado a conteúdos em domínio público, fazendo publicidade à versão em papel, que poderá ser adquirida num certo sítio electrónico de uma certa editora privada.

Indecente.

Merece por isso, quanto à política de disponibilização de obras caídas em domínio público, nota muito, muito negativa.

Suporte para dispositivos móveis

Surpreendente. A BDC pretende oferecer conteúdos preparados para dispositivos móveis: iPod, Palm, PocketWord, Telemóvel/Celular. Damos a mão à palmatória. Nunca pensámos que a BDC estivesse atenta a este fenómeno.

A BDC compreendeu uma das principais funcionalidades de uma biblioteca digital moderna: oferecer conteúdos em formatos que permitam ao utilizador não se confinar à secretária, podendo transportar milhares de livros no seu bolso.

Obviamente que a escolha dos formatos proprietários é questionável.

O formato EPUB não está disponível e é também de lamentar que não se tenha pensado nos dispositivos dedicados de leitura de livros electrónicos, dos quais o Ler Digital tem dado notícia e que revolucionaram a forma como se lerá no futuro.

Por outro lado, não só alguns, mas todos os livros do catálogo da BDC deveriam estar disponíveis para leitura em dispositivos móveis. (Quando a BDC iniciar o processo de conversão dos ficheiros, compreenderá melhor o que abaixo diremos sobre o formato PDF.)

A BDC precisa apenas de repetir os trabalhos de casa e estudar um pouco mais.

Pela intuição quanto às potencialidades de leitura em dispositivos móveis, merece nota positiva alta.

Formato dos ficheiros escolhido: o PDF

Não nos enganámos quanto previmos que a BDC escolheria o PDF como formato-padrão. Uma má escolha.

Apesar do utilizador comum estar familiarizado com o PDF e o considerar um formato insuspeito, o PDF é um quebra-cabeças no que toca à sua convertibilidade. É difícil converter ficheiros PDF para RTF ou HTML, apesar das inúmeras ferramentas disponíveis.

Para os livros que só contêm texto, a BDC deveria ter escolhido um formato ainda mais aberto. Ex.: RTF (legível em praticamente todos os editores de texto do mundo) ou o HTML (formato das páginas da Internet, legível em qualquer navegador).

O PDF pretende imitar a aparência do texto quando impresso numa folha de papel A4. O que não faz sentido numa biblioteca… digital.

Para mais, os dispositivos de leitura actuais (e, previsivelmente, os do futuro) terão dimensões inferiores ao A4. Isso tornará sempre difícil a sua leitura: as letras aparecerão muito pequenas ou será necessário aumentar/diminuir o texto repetidamente.

Ainda que os conteúdos fossem oferecidos em PDF, deveriam ser igualmente fornecidos em outros formatos.

Para além dos já referidos, a Biblioteca Digital Camões deveria disponibilizar imediatamente todos os livros numa versão EPUB, o recente padrão para livros electrónicos.

Merece, quanto ao formato padrão, uma nota negativa.

Principais conteúdos: crítica literária e História

Nada a apontar. É uma escolha que contribui para a diversidade. A maioria dos conteúdos disponíveis na Internet são de literatura.

Abstemo-nos de avaliar.

Literatura: poucos clássicos

Muito pouca literatura. Muito longe das obras completas dos principais escritores portugueses. Era previsível. Mas talvez com o tempo o acervo aumente.

Nota claramente negativa.

Resolução das imagens: satisfatória

As digitalizações de edições em papel que analisámos têm qualidade satisfatória para as submeter um reconhecimento óptico de caracteres. Tal é o caso das Gavetas da Torre do Tombo, ou dos Opúsculos de Etnologia. Merece nota positiva neste ponto e esperamos que assim suceda com os restantes parceiros.

A BNC deve exigir qualidade nas digitalizações, sob pena de não disponibilizar os ficheiros no seu acervo.

Nota positiva.

Classificação geral:
A Biblioteca Digital Camões merece nota positiva baixa. Apenas a salva a visão dada aos dispositivos móveis. Contudo, o projecto irá naturalmente crescer e esperamos que algumas das críticas que lhe apontamos sejam ultrapassadas num futuro próximo.

Boa sorte para a BNC.